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Programa de socioeducação de Santa Maria recebe prêmio local

“Projeto Onda” usa música e outras artes para resgatar autoestima entre jovens internos

O rap é mais do que um estilo musical para o professor Francisco Celso. As letras e melodias são suas ferramentas para o ensino de direitos humanos, diversidade e outros temas na Unidade de Internação de Santa Maria (UISM). O trabalho, em parceria com o Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), ganhou reconhecimento e sagrou-se campeão da etapa local do Prêmio Itaú-Unicef.Iniciado em 2015, o chamado “Projeto Onda: Adolescentes Protagonistas” atende cerca de 140 jovens que cumprem medida socioeducativa na unidade. “Oferecemos oficinas de música, artes, produção de vídeos e até um programa de rádio para que eles possam aprender sobre essas atividades e colocarem em prática esses conhecimentos”, explica a educadora Thalitta de Oliveira, do INESC.

Mas são as aulas de rap do professor Francisco Celso que atraem a maior parte dos alunos. “Há uma identificação muito forte por se tratar de uma manifestação tradicional de periferias, de onde esses jovens costumam vir”, analisa.

O educador usa letras, principalmente de artistas locais, para debater eixos transversais presentes no plano de ensino. Uma vez que o tema é discutido, cabe aos estudantes produzirem seus conteúdos. “Alguns escrevem, outros cantam ou fazem desenhos. Todo o material é usado, seja na produção de músicas, seja na edição de zines”, relata Celso.

O resultado positivo, segundo o professor, é imediato. “De cara percebemos uma elevação na auto-estima deles, pois percebem que têm algum talento, que são capazes de produzir um trabalho. Isso sem contar todo o aprendizado envolvido”.

E as mudanças não atingem apenas os jovens. “A gente passa valorizar bem mais a possibilidade de escolher, de trabalhar em algo que gosta. Para eles, é uma forma de enxergarem que são capazes de fazer boas escolhas, seguir um trabalho, estudos”, conta o produtor musical Heitor Valente, responsável pela parte técnica do projeto.

O Projeto Onda chegou a participar da fase regional da premiação, sendo o único implementado no sistema socioeducativo. Mas por não se adequar a alguns itens de avaliação, não conseguiu seguir para a fase nacional.

Mesmo assim, os professores seguem otimistas. O prêmio local, de R$ 20 mil, será revertido em investimentos no próprio projeto, como a contratação de professores de dança e compra de equipamentos de som.

As composições dos alunos serão apresentadas em um sarau, no dia 20 deste mês, e em um festival interno de música, realizado no dia 23. As melhores canções farão parte de um CD, produzido pelos estudantes.

Notícias da Educação/Secretaria de Estado de Educação

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